Após a "Crise nas Infinitas Terras", o megaevento da DC Comics, houve uma grande reformulação no universo compartilhado criado pela editora. O fim de alguns personagens, de algumas histórias e também das diversas Terras, que acabavam por atrapalhar o caminhar do universo DC, foram algumas dessas mudanças.
Junto do pós-crise, tivemos a chamada "invasão britânica", onde tivemos Alan Moore assumindo o Monstro do Pântano, Grant Morrison assumindo o Homem-Animal, Neil Gaiman assumindo Sandman, Peter Milligam com o seu Shade: O Homem Mutável, e por aí vai. Todos os títulos citados caíram no gosto do público e também da crítica. Porém, esses são personagens menos conhecidos, mais fácil de se realizar uma releitura. A verdade é que a principal missão da DC eram com suas mais consagradas figuras: Superman, Batman e Mulher-Maravilha.
Esses são três personagens que têm origens muito bem definidas na mente de seus leitores, e recontar essa origem é uma tarefa complicada. Ainda mais complicada se tratando de uma reformulação que vai além de detalhes editoriais, se tratando de uma mudança no teor das histórias em quadrinhos. Tivemos a brilhante fase de John Byrne pelo Superman e Frank Miller nos contou a origem do Batman. Já pela Mulher-Maravilha tivemos os desenhos e argumentos de George Pérez.
Junto do pós-crise, tivemos a chamada "invasão britânica", onde tivemos Alan Moore assumindo o Monstro do Pântano, Grant Morrison assumindo o Homem-Animal, Neil Gaiman assumindo Sandman, Peter Milligam com o seu Shade: O Homem Mutável, e por aí vai. Todos os títulos citados caíram no gosto do público e também da crítica. Porém, esses são personagens menos conhecidos, mais fácil de se realizar uma releitura. A verdade é que a principal missão da DC eram com suas mais consagradas figuras: Superman, Batman e Mulher-Maravilha.
Esses são três personagens que têm origens muito bem definidas na mente de seus leitores, e recontar essa origem é uma tarefa complicada. Ainda mais complicada se tratando de uma reformulação que vai além de detalhes editoriais, se tratando de uma mudança no teor das histórias em quadrinhos. Tivemos a brilhante fase de John Byrne pelo Superman e Frank Miller nos contou a origem do Batman. Já pela Mulher-Maravilha tivemos os desenhos e argumentos de George Pérez.
Estamos falando dos anos 80. Temáticas como o auge da Guerra Fria e questões sociais não podiam ser evitadas pelos quadrinhos, ainda mais após o sucesso de Watchmen, Cavaleiro das Trevas e Maus, lançadas em 1986. O público de quadrinho não era mais o mesmo, e não aceitava apenas aventuras superficiais. O grande erro de boa parte da indústria na época era retirar toda a aventura, baseando a história inteira nessas questões citadas.. E o grande diferencial da Mulher-Maravilha do George Pérez para esses quadrinhos é que temos uma história repleta de questões sociais, que funciona como uma aventura super-herói.
Sua fase começa com uma edição de 32 páginas contando-nos a origem da personagem. Já nessa primeira história vemos um pouco do comentário realizado no parágrafo anterior. O autor mescla muito bem a mitologia grega com as questões sociais pertinentes. A história nos mostra a criação da Amazonas, a partir da vida de mulheres tiradas por homens ignorantes. A criação delas vem numa tentativa de recuperar a adoração dos humanos, pessimistas por conta de todos os problemas sociais. Porém, há uma oposição a essa ideia pelo Deus Ares, que representa a dominação, tanto a masculina sobre a feminina, quanto a dominação por autoritarismo.
O primeiro arco da história, lançada recentemente pela Panini, nos conta a luta da Mulher-Maravilha, a escolhida das Amazonas para proteger o mundo do Patriarcado (nosso mundo) das forças de Ares, que tem o plano de causar uma guerra, vendo que estamos no contexto Guerra Fria em tensão máxima.
As questões feministas são exploradas de forma espetacular. A criação das amazonas vem como uma esperança em meio ao autoritarismo e opressão masculina. Um direito de resposta para todas as mulheres que sofreram por mentes machistas.
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| As amazonas e o empoderamento feminino. |
Os personagens são muito humanos e marcantes. De um militar a uma professora, vemos a forma com que cada personagem, de cada visão singular, lida com a presença da Mulher-Maravilha. Mas também vemos como a Diana lida com o nosso mundo, estranhando hábitos, fazendo possível várias críticas e reflexões. A cada edição a Mulher-Maravilha se torna cada vez mais um símbolo de empoderamento feminino e de liberdade, tornando a figura do super-herói como ela deve ser: Um exemplo.
A arte de George Pérez é extremamente detalhista. O autor é um dos melhores desenhistas dos quadrinhos mainstream, e aqui faz um dos seus melhores trabalhos, se não o melhor. Com um desenho muito bonito e realista, Pérez consegue criar cenas muito ricas em detalhes, seja desenhando um chalé ou o Olimpo.
Além dos detalhes espetaculares e a inventividade na criação de diversos conceitos, há também um estudo da arte sequencial realizada pelo autor que torna a história extremamente dinâmica. E seu estudo nos dá frutos até os dias de hoje, pois muito do jeito de contar história nos quadrinhos modernos bebe da obra de George Pérez. Apesar do roteiro de Len Wein ser cansativo em determinados momentos, a arte sequencial de Pérez faz com que o excesso de explicações por texto sejam dispensadas
A arte de George Pérez é extremamente detalhista. O autor é um dos melhores desenhistas dos quadrinhos mainstream, e aqui faz um dos seus melhores trabalhos, se não o melhor. Com um desenho muito bonito e realista, Pérez consegue criar cenas muito ricas em detalhes, seja desenhando um chalé ou o Olimpo.
Além dos detalhes espetaculares e a inventividade na criação de diversos conceitos, há também um estudo da arte sequencial realizada pelo autor que torna a história extremamente dinâmica. E seu estudo nos dá frutos até os dias de hoje, pois muito do jeito de contar história nos quadrinhos modernos bebe da obra de George Pérez. Apesar do roteiro de Len Wein ser cansativo em determinados momentos, a arte sequencial de Pérez faz com que o excesso de explicações por texto sejam dispensadas
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| Uma cena de ação dinâmica, sem setas indicando a sequência ou balão de texto explicando a situação |
Com uma arte espetacular, sequências competentes e histórias extremamente divertidas, mescladas com temas pertinentes, como a Guerra Fria, e principalmente o feminismo, Mulher-Maravilha por George Perez é um daqueles quadrinhos que não precisamos ter medo de chamarmos de clássico.





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