A Tartaruga Vermelha é um filme de animação de 2016, dirigido e escrito por Michael Dudok de Wit, e co-produzido pelos estúdios Ghibli, famoso por filmes como “Princesa Mononoke” e “A Viagem de Chihiro”.
O filme foi indicado ao Oscar de melhor animação. Os estúdios Ghibli sempre nos apresentam animações tocantes, que encantam o público ocidental. Dessa vez não é diferente. “A Tartaruga Vermelha” é um filme muito tocante e belo, mas com uma peculiaridade: O filme é inteiro sem falas.
O longa tem cerca de 80 minutos. Uma hora e vinte minutos de filme, sem um diálogo se quer, pode não parecer convidativo, porém a equipe responsável pela animação se mostra competente e nos faz nos arrependermos de termos torcido o nariz. Com uma fotografia belíssima, uma trilha sonora tocante e uma história boa e cativante, os realizadores nos mostram que não foi uma opção fazer um filme mudo. Ele precisava ser assim.

Temos, então, a história de um homem, sem nome e sem passado, que se torna um náufrago por conta de uma intensa tempestade. Sozinho em uma ilha, começamos a acompanhar as ações do personagem em busca de sua sobrevivência. O silêncio do filme tanto intensifica a sensação de solidão, quanto enaltece a trilha sonora.
Nos primeiros momentos do filme vemos apenas ações rotineiras, repetitivas, da sobrevivência do homem. Isso acontece em diversos momentos do longa. Ações que não levam a lugar algum, porém em nenhum momento nos incomodam. O filme tem imagens belíssimas, que nos encantam. Além disso, as ações rotineiras fazem parte da forma que a animação realiza a passagem de tempo. As coisas começam a caminhar quando o protagonista faz uma jangada de madeira e tenta sair da ilha. Porém, ele é surpreendido por uma Tartaruga Vermelha, que destrói sua jangada, assim como todas as outras que ele constrói.

Por conta do silêncio, interrompido apenas pelos sons naturais e a trilha sonora que toca no fundo da alma, o longa não nos explica nada, e é aqui que está o mais interessante. Aliado a beleza e a qualidade técnica em realizar uma narrativa áudio-visual sem falas, as diversas interpretações possíveis das metáforas e da mensagem que a animação nos passa é o que o deixa tão bom. Não irei contar o que acontece durante o filme, pois estragaria totalmente a experiência, mas irei falar um pouco sobre minha interpretação. Na minha visão, a obra fala sobre ciclos, representado diversas vezes pelas repetições de acontecimentos, como também pelos ciclos da natureza presentes todo momento no longa. E os ciclos são marcados por fins e recomeços, e essa transição pode ser difícil.

Com lindas imagens (pode pausar o filme em qualquer momento e fazer um quadro da cena), auxiliado de uma trilha sonora tocante, as falas não fazem falta em “A Tartaruga Vermelha”, muito pelo contrário. Esse não é um filme para assistirmos, e sim para apreciarmos. Um filme simplesmente belo, pois é belo em ser simples.
LINK PARA DOWNLOAD

EmoticonEmoticon