terça-feira, 14 de março de 2017

Top 10 Filmes 2016

O Top está um pouco atrasado, mas acho bacana pra quem não conferiu algum desses. Realmente foi bastante difícil escolher apenas dez filmes, já que 2016 foi um bom ano e assisti bons filmes. Por isso faço um filtro: Os filmes dessa lista serão somente os que foram lançados no Brasil em 2016. Por tanto não teremos “La La Land”, “Até o último homem” e etc. Esses filmes e mais outros falarei em uma postagem especial sobre o Oscar. Mas enfim, segue a lista:

10- O Quarto de Jack (Dir. Lenny Abrahamson)




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O filme conta a história de uma garota, que foi sequestrada e mantida em cativeiro durante anos. Sendo constantemente abusada sexualmente, ela acaba engravidando, e tem o seu filho, o Jack, em sua situação deplorável, vivendo em um quartinho, onde é estuprada diariamente. O mais interessante do filme é a relação de Jack com o mundo. Uma vez que o garoto nasceu e viveu dentro de um quarto, para ele aquele pequeno espaço significa tudo: “O Mundo de Jack”.  As sacadas do filme sobre isso são boas, e me faz lembrar a alegoria da caverna, da filosofia platônica. Vale dar méritos para as atuações, principalmente de Jack. Corram atrás do filme, e não se enganem: Não é um filme piegas. Com certeza tem um dos começos mais tensos do cinema.

9- Star Wars: Rogue One (Dir. Gareth Edwards)




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Disney, eu te amo sua linda. Star Wars Rogue One se passa entre o Star Wars III e Star Wars IV, e é um deleite para qualquer fã. O filme melhora (e muito) a trilogia que se iniciou com A Ameaça Fantasma. Arrisco dizer que tá no meu Top 3 Star Wars...

8- O Lamento (Dir. Na Hong-jin)




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O cinema coreano sempre nos apresenta filmaços, e O Lamento é um exemplo disso. O filme nos conta a história de uma cidade coreana, onde coisas estranhas começam a acontecer, e o que marca o inicio disso é a chegada de um estranho japonês. Suspeitas de bruxaria caem sobre o estrangeiro, e o mistério sobre a responsabilidade do homem ou a coincidência dura até o final do longa. As coisas começam a ficar sérias quando o protagonista, um policial que investiga esses estranhos acontecimentos, vê sua família afetada por esse mal que assola a cidade. O filme me pegou de surpresa, pois achei por acaso, mas já digo que é um dos melhores filmes de terror dos últimos anos. Destaque pra atuação da garota que faz a filha o protagonista. Ela está assustadora, possuída. As duas horas e meia de longa podem assustar, mas você não consegue desgrudar da tela.

7- Animais Noturnos (Dir. Tom Ford )




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O filme conta a história de uma artista (Amy Adams) que está passando por uma crise no casamento, na carreira, como também uma crise existencial. Aliado a isso, ela recebe o romance escrito pelo seu ex-marido, chamado “Animais noturnos”. A partir daí o filme conta tanto a história principal, quanto a história contada no livro. Mas detalhe: Na verdade são as mesmas histórias. O romance funciona como uma metáfora para o plano principal do longa. O filme é dirigido por Tom Ford (Direito de amar), um diretor que é também estilista. Por isso, visualmente o filme é belíssimo. A direção e as atuações também são boas. O filme poderia ter sido melhor se o diretor soubesse aprofundar a história da personagem da Amy Adams mais. Porém, pela inventividade merece ser conferido.

6- A Bruxa (Dir. Robert Eggers)




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Um filme de terror de verdade. Terror psicológico, macabro, tenso. Nada de sustinhos apelativos. O terror aqui é construído a partir da atmosfera do filme, da tensão e do desenrolar do longa de forma brilhante. Apesar de ser um filme de terror, A Bruxa faz críticas inteligentes à hipocrisia que paira sobre a religião e o conservadorismo, quebrando a ideia de que terror não pode ser reflexivo e complexo. A película faz jus aos clássicos como “Repulsa ao sexo”, do Polanski, e “O Homem de Palha”, do Robin Hardy, onde temos terror aliado à críticas sociais. Por isso esses são os clássicos, e é por isso que A Bruxa segue pelo mesmo caminho. Melhor filme de terror dos últimos anos, e deverá permanecer no posto por muito tempo.

5- A Chegada (Dir. Denis Villeneuve)




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Mais Amy Adams aqui. E ela tá bem demais nesse. Uma ficção científica de primeira, que me lembra bastante Contato, filme que adaptou o livro de Carl Sagan. E como toda ficção científica que preste, o longa usa o absurdo para criticar nossa realidade. O absurdo aqui é a aparição de doze naves alienígenas, onde a personagem da Amy é encarregada de se comunicar com a espécie alienígena, uma vez que ela é uma grande especialista em línguas. O filme tem uma conclusão interessante, e uma bela reflexão sobre o medo do desconhecido. Porém, a principal crítica do longa me fez lembrar Watchmen (Alan Moore e Dave Gibbons), mas acho que falar mais sobre essa temática pode estragar a experiência.

4- Spotlight: Segredos revelados (Dir. Thomas McCarthy)




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O ganhador do Oscar de 2016, e mais que merecido. Um filme que conta a história da investigação jornalística ganhadora do Pulitzer, na qual os jornalistas responsáveis descobrem uma grande rede de abusos infantis realizados pela igreja católica. Quanto mais fundo os investigadores vão, mais complexa a situação se mostra. Filme importantíssimo, que nos mostra a história real de jornalistas batendo de frente com pessoas poderosas. Eu estudo pra ser jornalista, então esse filme me pegou.

3- Aquarius (Dir. Kleber Mendonça Filho )




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Aquarius era o filme pro Oscar. Aliás, talvez não. De qualidade inegável, porém o poder desse filme assusta a crítica duvidosa do Oscar. O filme conta a história de uma jornalista em uma luta contra uma construtora, que planeja demolir o edifício Aquarius, onde Clara, a protagonista, viveu a vida inteira. A Sonia Braga tá destruindo no papel, maravilhosa. O filme é um tapa na cara dos reaças, e têm críticas ao estilo de vida materialista e superficial da elite, tudo em torno do conflito já citado e da vida da protagonista Clara, que se mostra uma mulher forte, empoderada e cheia de atitude. Ela é a figura da resistência. Destaque pra cena final, que é uma explosão, um extravaso, muito simbólico.

2- Capitão Fantástico (Dir. Matt Ross )




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Dirigido por Matt Ross (?) e com atuação brilhante do Viggo, o Aragorn de Senhor dos Anéis.
O longa conta a história de uma família que vive em uma floresta, afastada da sociedade. Porém, após a morte da mãe da família, eles cruzam o país para irem em seu enterro.
O filme é divertidíssimo e repleto de críticas sociais. Critica o consumismo, o sistema educacional, a importância dos pais na criação dos filhos e principalmente aos problemas que o extremismo, sendo de qualquer opinião, pode gerar. Destaque para a cena em que a família toca uma canção juntos, onde simboliza o estilo de vida anarquista, baseado na subsistência, em que vive o grupo: Na cena, a família toca uma música, na qual um integrante não consegue acompanhar. A falha dele compromete toda a harmônia. Em vez de acabar com a canção, o restante dos integrantes familiares se adaptam e seguem o ritmo e a harmônia tocada por aquele que não conseguiu acompanhá-los. E a revolução que eles propunham não se constrói assim? Uma comunidade baseada no coletivismo, na cooperação, onde a construção do melhor para todos se mostra sua base (assim como a criação de um bom som).

1- A Criada (Dir. Park Chan-wook )




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Olhem esse pôster!!! Assistam o filme e admirem a música, a fotografia, as atuações, o roteiro... Tudo no filme é muito bem feito. Filme dirigido por um dos melhores diretores vivos, Park Chan-Wook, que dirigiu também a Trilogia da Vingança, onde destaco o clássico e intocável Old Boy. A Criada é tão bom quanto. O filme conta a história de um vigarista que tem o plano de seduzir uma rica mulher com o fim de conseguir por as mãos em seu dinheiro. Para realizar seu plano, esse homem pede ajuda a outra criminosa. Ela deve se passar por criada da enorme casa, facilitando o plano de sedução do vilão, em troca de parte do dinheiro e o quanto ela conseguir roubar da casa. O primeiro ato do filme você não entende qual é a do longa: Existe a criada, o vigarista, a mulher, que não parece bem, e seu tio, que aparenta ser um completo louco. O impressionante do filme é que com o desenrolar da história a obra fica cada vez mais complexa, e diversas vezes te pega de surpresa. Nada fica no ar, e nada que é mostrado é em vão. O filme é cuidadosamente planejado, até nos mínimos detalhes. Sinto que o primeiro ato é um pontinho preto, e com o passar do longa damos zoom nesse ponto preto, onde podemos ver outras cores, e depois damos mais um zoom, onde percebemos diversas cores, desenhos, detalhes. O filme se torna grandioso. Uma obra prima.

Menções honrosas: Your Name, Elle, O Regresso, Sing Street, Um cadáver para sobreviver, Star Trek: Sem Fronteira, A Lagosta, A Qualquer Custo, Invasão Zumbi, Deadpool e Guerra Civil.


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