"The Discovery" é um longa original do Netflix, lançado em 2017, dirigido por Charlie McDowell, com o roteiro co-escrito por Justin Lader. O filme é uma ficção científica/drama, que nos conta a história da grandiosa descoberta do cientista Thomas (Robert Redford): A existência de vida após a morte.
A Descoberta - que batiza o filme - como já podemos imaginar, causa grande impacto e altera radicalmente a visão das pessoas à questões como o valor da vida, religião e o significado da morte. As coisas começam a complicar quando o índice de suicídio é catapultado, chegando aos milhões. Will (Jason Segel), filho do cientista responsável pela descoberta e um homem cético quanto a ela, viaja até o centro de estudos do pai para tentar convence-lo a desmentir a revelação, na tentativa de diminuir o número de suicídios.
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| Para Will, não bastam evidencias esmagadoras, e sim evidencias incontestáveis. |
No caminho da viagem, Will conhece Isla (Rooney Mara), uma garota com senso de humor ácido e um tanto diferente, que o chama atenção. Após cada um seguir seu caminho, Will salva Isla de uma tentativa de suicídio no mar, e a leva para o centro de pesquisas de seu pai, onde acompanhamos junto dos dois a pequisa do cientista acerca da Descoberta: Como é a vida após a morte?
A vida após a morte é uma questão que o ser-humano carrega há milhares de anos. Isso porque nos é difícil digerir a ideia de uma vida passageira, pois somos diferentes dos outros seres vivos; sabemos da nossa existência, e viver e morrer como qualquer outro ser não nos parece condizente. As religiões tentam explicar questões do nosso mundo que jamais teremos experiência, baseando-se na fé. Entre essas questões, a vida após a morte é uma das maiores preocupações de qualquer religião.
Pegando como exemplo a sociedade egípcia, um dos elementos mais característicos de seus costumes eram os ritos fúnebres. Quando um faraó falecia, ele era mumificado e posto em uma tumba vestido com seus mais valiosos ornamentos e jóias. Isso porque, para os egípcios, as pessoas precisavam chegar ao mundo dos mortos da forma mais apresentável possível. A mumificação existia para preservar o corpo, pois, segundo eles, o espírito e alma não conseguiriam chegar ao outro mundo em um corpo não preservado.
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| O Deus da morte egípcio, buscando o espírito de um falecido mumificado. |
As religiões que acreditam em um mundo ideal após a morte trasmitem a ideia de que todo sofrimento que passamos em vida é necessário. O que faz com que as pessoas não se matem é o argumento de que, tal sofrimento, é uma provação necessária para chegarmos à paz eterna.
Mas e se a vida após a morte fosse confirmada, assim como no filme? Quantos se matariam, sem pensar duas vezes? O que nos apega à vida são as experiências que vivenciamos ou a dúvida da morte ser ou não o fim?
E o que você faria se essa descoberta fosse comprovada? E se você tivesse uma chance de recomeçar?
No fim das contas, a chance de recomeçar está nas nossas mãos, além de qualquer possível descoberta. Morremos e renascemos diversas vezes em uma única vida. Nossas chances de fazermos diferente nunca se esgotam, e a ideia de morte não está ligada diretamente com a ideia de renovação e renascimento. Renascemos todos os dias.
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| Isla em sua tentativa de suicídio. |
Apesar da premissa interessante, e toda a reflexão que o filme nos trás, a película é cheia de problemas. Ao começar pelos personagens, que não nos faz sentirmos nenhuma empatia. Apesar do roteiro se preocupar com background de Isla e Will, isso não é o bastante para fazer com que importemos com eles. Além disso, os protagonistas do longa não têm química nenhuma, e a relação deles não convence.
Will vai para o centro de pesquisa tentar impedir o pai de continuar com sua Descoberta, mas na verdade isso se mostra como um recurso do roteiro para nos mostrar as pesquisas. Aos poucos, parece que Will esquece seu principal objetivo, inclusive ajudando na pesquisa (se arriscando ao roubar um corpo, por exemplo).
O filme segue sem fôlego até seu último terço, onde temos descobertas e situações mais impactantes, mas que, por conta de não nos importarmos com os personagens, ficam devendo. O plot twist no final do longa deixa o filme muito mais interessante, e salva bastante a obra.
A ideia é muito boa, e toca em um assunto pertinente. Porém, ter uma boa ideia é fácil, o difícil é realizar bem essa ideia. Tirando "Beast of no Nation", sinto que a Netflix está devendo com seus filmes originais, e ficamos na espera de uma obra não seja apenas esmagadora, mas também incontestável.




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