segunda-feira, 22 de maio de 2017

Twin Peaks: Parte I e II - 25 anos depois...


ATENÇÃO: ESSE TEXTO CONTÉM SPOILER

Twin Peaks cumpre a profecia e retorna após 25 anos. Isso se trapacearmos e contarmos o fraco filme Twin Peaks: Fire Walk With Me. De qualquer maneira, veio ao ar no domingo (21/5) e ao Netflix Brasil na segunda (22/5) o primeiro episódio da terceira temporada do fenômeno dos anos 90, realizado por Mark Frost e David Lynch. Mas antes da análise em si, vamos a uma breve recapitulação:
As corujas não são o que parecem
A segunda temporada de Twin Peaks terminou com a revelação de que Bob, a entidade assassina, havia possuído o Agente Dale Cooper. No último episódio, o mais hermético da série, vemos Cooper adentrando ao Black Lodge, a extra-dimensão maligna, e encontrando Lara Palmer, que premedita o reencontro com ele 25 anos depois. O episódio acaba com a cena acima: A incrível transformação de Cooper.

Aqui começamos o primeiro episódio do retorno de Twin Peaks com uma cena na clássica sala dos sonhos. Vale avisar que o surrealismo tão característico da série é visitado diversas vezes durante esse início de temporada, sendo a parte II do episódio praticamente toda nessas situações. Cooper encontra o Gigante, que o pede para ouvir uma canção e fala dos números 430 sem explicar bem para que.

O Gigante
De Twin Peaks, a cidade, vemos muito pouco. É muito bom e nostálgico reencontrarmos os personagens da delegacia, do hotel, do restaurante e de todos os lugares tão vivos em nossa mente, mas nesse episódio eles são secundários; em vez disso, vemos uma introdução a nova roupagem.
Somos apresentados a um personagem em seu emprego, que não entendemos muito bem. Ele observa uma caixa de vidro, a mando de um milionário, esperando ver algo que ele não faz ideia do que pode ser, tudo secretamente. Uma curiosa que trabalha no local convence o rapaz, quando o segurança não está presente, a entrar e espiar o que há de tão misterioso. Quando eles estão lá dentro, as coisas esquentam entre os dois e eles transam; o sexo é interrompido por aquele "algo" que o jovem deveria ver: Uma figura humana, deformada, difícil de descrever, que ataca o casal.

Emprego fácil, eles disseram.
Em outro plano da história, vemos um chocante assassinato de uma mulher, que é decepada e posta em uma cama com um corpo sem cabeça, que não é o dela. As digitais de um homem, personagem novo, é encontrada por toda parte e ele é preso. Esse homem nos parece convincente e acreditamos que ele não é culpado quando ele se justifica, dizendo que foi tudo um sonho. Não há mais explicações de como isso irá se chocar com o que ocorreu em Twin Peaks, e parece não ter muita relação mesmo, até que a estranha aparição da caixa de vidro aparece também na cela.

Um novo assassino?
Finalmente revemos Agente Cooper, em uma cena de entrada badass!!! O personagem está extremamente diferente, abandonando seu tradicional terno e hábitos contidos, dando lugar a um homem sério, mal e completamente  inverso, onde podemos ver a dualidade presente em toda a série. Descobrimos que ele se tornou um assassino, e não sabemos ao certo seus objetivos, mas vemos que há pessoas que o seguem. A nossa querida Senhora do Tronco (a atriz que a interpretava faleceu esse ano após as gravações) que atenta ao policial Hawk sobre a volta de Cooper. Por outro lado, o Cooper diferente que vemos na série também parece desconfortável com algo, nos fazendo acreditar que ambas as causas se chocarão.

O cabelo longo, parecido com o de Bob.
Temos também a aparição do Cooper que nós conhecemos. Ele está sentado na cadeira da sala dos sonhos, e por lá encontra diversos personagens. Primeiramente, o homem sem braço, depois Laura Palmer e também o Sr. Palmer. Como é de se imaginar, tudo que é dito fica no ar, e será explicado nos próximos episódios, porém podemos perceber que todos os personagens presentes clamam pela volta de Cooper. A cena do encontro com Laura é a mais enigmática. Ela diz que Cooper precisa voltar; também retira o próprio rosto, onde vemos uma forte luz emanando dela. Ao ser questionada pelo agente se ele já pode ir, ela se levanta e reproduz a cena da primeira aparição da sala dos sonhos, onde beija o agente Cooper e lhe conta um segredo. O segredo parece aterrador e, após isso, Laura some de forma estranha, gritando de desespero.

Eu estou morta, mas ainda vivo
Cooper se encontra com um personagem, chamado de "O Braço". Impossível sabermos do que se trata exatamente, mas nada mais é do que uma árvore, de galhos finos e eletrizada, com algo como se fosse sua cabeça em seu topo. Esse personagem nos diz as informações mais intrigantes: Primeiramente fala mais três números misteriosos, 253, se juntando aos números ditos no início do episódio. Depois disso, O Braço questiona se o agente especial se lembra de sua réplica, e atenta que ele tem que voltar antes de Cooper. Dale tenta sair daquele local que ficou preso por 25 anos, mas vê as cortinas bloqueadas por uma parede; após abrir outra cortina, presencia o Cooper do mundo físico se dirigindo à Twin Peaks, e é quando cai no chamado pelo Braço de "não-existência".
Cooper reaparece na caixa de vidro antes do casal transar e tudo aquilo acontecer, mas logo depois desaparece. Vale atentar que a figura misteriosa da caixa tem a cabeça igual ao do Braço, só confundindo ainda mais o espectador que já não tá entendendo nada!!!
O Braço nas primeiras temporadas da série era o enigmático anão.

O Braço
Acabamos o primeiro episódio revendo Bob e James, além das garotas da série, presentes na imagem abaixo, todos reunidos em um bar durante um show; um final muito prazeroso por matarmos a saudade daqueles personagens, e torcendo para que todos eles ganhem uma atenção especial não dada nesse episódio.
É preciso atentar que o teor da série mudou. O pastelão da primeira e segunda temporada não existe mais, e na tentativa de fazer parecido ficou tosco. Temos um clima sombrio, cenas violentas e cenas de sexo não presentes há 27 anos atrás. Isso é ruim? Não. A série está moderna, e apesar de não parecermos assistir Twin Peaks, pelo menos nesse primeiro contato, temos um episódio intrigante que nos deixa ansiosos para o próximo. Adorei!!!
Shelly, e Norma


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