ATENÇÃO: ESSE TEXTO CONTÉM SPOILERS.
Nessa segunda (29/05) as partes III e IV foram lançadas no Netflix, e infelizmente essa resenha saiu com um de dia atraso. Mas segue o baile.
No último episódio, tivemos os indícios da volta do Agente Dale Cooper verdadeiro, o que provocou aflição ao policial Hawk, como também em sua duplicata (Sr. C).
Começamos esse episódio com mais uma situação hermética, que nos faz crer que o surrealismo será bastante presente nessa temporada, assim como foi no final da série original e no filme Twin Peaks: Os últimos dias de Laura Palmer. Cooper, preso numa extra-dimensão, entra em uma sala onde se depara com uma mulher sem olhos que não fala, apenas produz grunhidos; lá ele se depara com um cofre com o número 15. A cena é muito bem dirigida por Lynch, onde temos cortes brutos, que ficam intercalando entre frames, fazendo com que a cena quase não ande, nos dando a ideia de que nesse plano astral o tempo passam diferente.
Após sair da sala, subindo até o a parte externa do local, Cooper se vê em uma espécie de nave, passeando pelo espaço. Lá, ele observa a cabeça de Major Briggs passando e dizendo, como quem adverte, "Rosa-Azul". Como sabemos, Briggs foi enviado para o White Lodge, cópia do bem da Black Lodge, ao final da segunda temporada, o que nos faz crer que Cooper está em uma dimensão dominada por forças do bem em direção ao nosso mundo material.
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| O retorno de Cooper. |
Cooper troca de lugar com uma outra duplicata, chamado Dougie. Tal personagem é, segundo o Homem sem Braço, fabricado com um propósito, que se mostra ser o retorno de Dale.
Talvez isso caiba melhor em uma postagem específica, mas a grande sacada de Twin Peaks sempre foi tratar de dualidades. O White e o Black Lodge mais claramente, mas a cidade inteira de Twin Peaks (Picos gêmeos), talvez por ter o portal para essas dimensões ou o contrário, também era repleto disso, onde todos os personagens tinham uma vida dupla, menos Cooper. No final da segunda temporada, Cooper revela sua vida dupla, de um passado pouco lembrado na série, e é possuído por Bob. Aparentemente, essa nova temporada abordará o confronto dessas dualidades, pois depois o Homem sem Braço adverte que um dos dois Cooper deve morrer.
Após isso, Cooper renasce literalmente, pois reaparece com a mente de um bebê ou algo do tipo, sem memória ou qualquer senso. Ele se encontra com uma prostituta que estava atendendo Dougie; ela, percebendo o estado dele, o leva à um cassino para que ele procure ajuda. Lá, Cooper, imitando gestos e influenciado por uma áurea que apenas ele vê, ganha milhares de dólares. Seu retorno absoluto vêm após beber um café quando já está em sua casa (não poderia ser diferente), onde parece se lembrar de tudo.
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| Oi |
Vemos David Lynch atuando como Gordon, um dos personagens mais engraçados da série, e também revemos Albert, o chato. Ambos ficam sabendo do reaparecimento de Cooper, ou melhor, Sr. C, que, quando Dale verdadeiro retorna sofre um acidente de carro. Uma cena bem nojenta, onde ele vomita algo tóxico, assim como Dale, mostrando uma ligação entre os dois e os efeitos que a falta de equilíbrio com ambos no mesmo plano causa.
Vemos um pouco mais da cidade de Twin Peaks, onde está acontecendo a investigação. Temos uma cena emocionante de Bobby vendo a foto de Laura Palmer e chorando, onde percebemos como o crime abalou toda a cidade. O pastelão novamente fica tosco em uma cena envolvendo um celular, que é bem constrangedora, porém, ao termos a apresentação de Wally, o filho de Lucy, temos uma situação muito engraçada, com a cara das primeiras temporadas da série. Wally é um motoqueiro, que viaja o país, e sempre fala com frases de efeito, o que proporciona um diálogo muito divertido.
Por fim, nesse episódio faltou bastante de Twin Peaks, no sentido de vermos a cidade e todo o clima das primeiras temporadas, mas já tivemos um pouco mais do que nos episódios de semana passada. Agora temos uma ideia do que será a série, e apesar de uma situação cansativa com Cooper inconsciente, a parte IV eleva a qualidade da série e nos faz criar grandes expectativas.
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| Wally, interpretado por Michael Cera. |
Simbologias
Aqui talvez a parte mais interessante e desafiadora dessa análise: Juntar algumas loucuras dos episódios e tentar criar uma teoria, que pode ter muito sentido, ou apenas se mostrar como uma grande viagem. (Não é isso que Lynch quer?)
Anel: O anel foi um personagem importantíssimo para desvendarmos o grande plot da primeira parte de Twin Peaks, que foi saber quem matou Laura Palmer. Ele aparece novamente na Parte III, mas sai do dedo de Cooper quando ele se transforma em um objeto luminoso e, em seguida, numa pequena pedra dourada do tamanho de uma pérola. Cooper também perdeu o anel pouco antes de descobrir o assassino na segunda temporada.
Coelho: Lucy atenta para o sumiço de um coelho de chocolate, e diz ter a ver com o caso. A presença do coelho no episódio não parece ser em vão, pois o coelho tem uma forte simbologia à renovação, por ser um animal lunar e pela sua fertilidade, como também a dualidade.
Coruja: Mais um animal símbolo de dualidade. Também um animal lunar, a coruja representa o místico e a intuição, assim como também representa a razão. As corujas não são o que parecem.
Transformação: O quadro de Kafka aparece no departamento de polícia. Kafka é famoso por escrever o romance "A Metamorfose", e o simbolismo da cena fica mais evidente quando vemos um quadro logo a frente da foto do autor, com a imagem de uma explosão nuclear, um processo de transformação.
Transformação: O quadro de Kafka aparece no departamento de polícia. Kafka é famoso por escrever o romance "A Metamorfose", e o simbolismo da cena fica mais evidente quando vemos um quadro logo a frente da foto do autor, com a imagem de uma explosão nuclear, um processo de transformação.
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| O quadro de Kafka. |





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