quinta-feira, 1 de junho de 2017

Sete Minutos Depois da Meia Noite - Amadurecer é aceitar mudanças


Sete Minutos depois da Meia Noite (A Monster Call) é um filme de drama e fantasia lançado em 2017, dirigido por J.A. Bayona (O Orfanato) com roteiro escrito por Patrick Ness, que também escreveu o romance que baseou o filme.

Para quem diz que a Netflix não têm bons lançamentos, esse filme prova o contrário! Lançado esse ano, é talvez o melhor do ano até o momento. O longa conta a história de Conor (Lewis MacDougall), um garoto entrando na adolescência, que passa por problemas comuns dessa fase: Perseguições de outros garotos na escola e mudanças de perspectivas sobre o mundo. Porém, diferente de outras crianças, Conor precisou amadurecer mais cedo do que o normal, pois sua mãe (Felicity Jones) sofre de câncer terminal. E é através da fantasia, ao se deparar com um monstro-árvore, que o garoto se torna homem.

Conor e sua mãe
O monstro aparece à Conor com a missão de contar-lhe três histórias, e dizendo de forma enigmática que, ao final da terceira, iria ser o garoto que contaria uma história. Ele, por sua vez, não acredita que aquilo seja real, pois Conor sabia que precisava amadurecer e abandonar suas fantasias de criança. O que faz com que o menino aceite ouvir o monstro é a promessa de salvar sua mãe, uma esperança para ele, mesmo que difícil de se acreditar.

Todas as três histórias têm uma mensagem fortíssima para o mundo real, e servem de metáfora perfeita para a fase que o garoto está vivendo: A troca da visão de mundo perfeito que temos quando criança, pela necessidade de percebermos e confrontarmos os problemas que aparecem quando ficamos mais velhos. Conor aprende que na vida real não existe bem e mal, aprende também que muitas vezes suas ideologias serão postas em jogo e também que a necessidade de sermos notados, que todos temos nessa idade, não supre nossa solidão. Todas essas lições são postas em histórias de fantasias, onde ele questiona o monstro: E os finais felizes? Ver as fantasias de infância de maneira tão pessimista choca o garoto, assim como perceber que aquele mundo perfeito que imaginamos quando criança não é tão perfeito assim.

Paralelo às fantasias, temos a história do filme no mundo real. Essa intercalação entre o fantasioso e o realista define muito bem o duelo interno do garoto, que se vê numa fase de transição. Enquanto as histórias do monstro o fascina, os problemas na vida real aumentam: Após a piora de sua mãe, Connor precisa morar com sua vó (Sigourney Weaver), na qual tem um relacionamento conturbado. O desenvolvimento do carinho entre os dois, que começa com uma trégua pela causa comum, o bem estar da mãe de um e filha da outra, é parte importante do amadurecimento do rapaz. Aliado a isso, a aparição de seu pai, ausente durante muito tempo, mexe com a estrutura da família.

Amadurecimento é a palavra chave do filme: Não apenas para Conor
O filme é muito bem dirigido. Como eu disse, ele fica intercalando entre a fantasia e o real, algo muito parecido com o que foi feito em O Labirinto do Fauno do Guillermo del Toro, e funciona muito bem nos dois longas. As atuações são muito convincentes, e o Conor é um personagem muito bem explorado. 
Fui assistir Sete Minutos Depois da Meia Noite imaginando que veria mais um filme infanto-juvenil, com a proposta de ser leve e divertido. Me enganei feio!!! O filme é um puta drama, pra chorar e também pra refletir, mas é uma película recomendada para todas as idades.

Fica a recomendação de quem quer ver um bom lançamento no Netflix!!!


SPOILERS A SEGUIR!!!



O filme me marcou muito não apenas pela qualidade. Ele tem uma mensagem fortíssima e por isso mesmo recomendo para todos. O plot twist do longa é daqueles impactantes: A quarta história, contada pelo garoto era de seu sonho, que ele tanto renegava. Ele sonhou que um grande terremoto, representando a destruição que o câncer fez, não apenas na vida de sua mãe, mas na estrutura de todos ao redor, causou uma abertura de um enorme buraco no chão que levou tudo e estava prestes a levar sua mãe. Conor segura sua mão, na tentativa de salvá-la, mas é em vão. Ela cai, e inicialmente achamos que foi porque o garoto não conseguiu segura-la por mais tempo, mas depois nos é revelado que, na realidade, ele a soltou.
Conor sabia desde o início que sua mãe não suportaria mais a doença, e desejava sua morte para o fim de seu sofrimento. O monstro só foi embora, ou seja, o garoto só amadureceu quando teve coragem de admitir para si mesmo que esse era seu desejo. Aceitar o fim, e não apenas isso, mas também perceber que há um recomeço, é amadurecer.


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